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domingo, 19 de junho de 2016

Sobre a minha primeira NÃO corrida e minha força de vontade para correr


Hoje seria o dia da minha estreia nas corridas de rua. Mesmo não correndo mais de 2 minutos seguidos estava decidida a começar a participar das provas para pegar o gosto pela coisa.
Mas, eu exagerei nos treinos.  Eu não entendi o que meu corpo estava  me dizendo.  Achei que fosse falta de prática na corrida o motivo das dores nas canelas, mas era a tal canelite.  Bem no início, sem dores  ao caminhar, mas incomodando ao correr.
Quando descobri que essas dores  nas canelas poderiam gerar um trauma por estresse, parei.
A maioria dos correrdores não pararia, eu sei, mas sofro com lesões diversas desde os 14 anos de idade por conta da minha deficiência e sei que não quero sofrer lesões por correr tão cedo na minha vida.
Eu escutei meu corpo, engoli a vontade de estar na prova, mas peguei o kit e fiquei olhando para ele fazendo os alongamentos e exercícios que vão me permitir estreiar, quando for a hora, apenas sendo feliz! Sem dores!
A consciência corporal é algo  fundamental para quem quer fazer um esporte que impacta tanto as articulações, músculos e tendões. Mesmo antes de começar a correr, todo corredor, ao meu ver, deveria fazer um trabalho de consciência corporal e fortalecimento.
Acho que este é o grande primeiro ensinamento da corrida pra mim: compreender meus limites e ter humildade para superá-los.
Enquanto isso vou ficando aqui com meu gelinho e meu primeiro número de peito não usado, mas cheio de significado, porque tenho muita vontade de correr e nada vai deter esta vontade. Parar, quando necessário,  também  é  treino, de mente, é foco no objetivo  maior: correr feliz!


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Meu Namastê


Este texto foi escrito no dia 16 de maio, mas só hj me sinto realmente preparada para publicar a foto!

A vida nem sempre leva a gente pelos caminhos que gostaríamos de seguir. Ela leva a gente pelos caminhos que precisamos seguir.

Durante muitos e muitos anos eu quis ser magra, quis ser boa mãe, quis ser boa profissional, quis ser dedicada a alguma coisa ou causa... enfim...
Eu sempre sentia que existia um entrave para a realização dessas coisas. Eu as conseguia até certo ponto e depois me via retrocedendo ao ponto inicial (e ainda vejo). Eu sempre me perguntava "por quê?", mas a resposta nunca aparecia, pelo menos não como eu queria, pois a resposta sempre esteve na minha cara, no meu corpo, grudada em mim. É parte de mim!

Dois anos de Pathwork me ajudaram a começar a trilhar o caminho da minha verdade. É, eu tô engatinhando ainda e Flávia Melissa com seus vídeos incríveis me ajudaram a começar a catalisar o processo, pois ela tem fala fácil e fez meu coração se abrir para a causa.

Cuidado com o que pede, pois pode se tornar realidade, tá? hahahahaha.

E eu, depois de 37 anos de buscas, comecei a ver a resposta: Integrar. Integrar a minha deficiência ao resto de mim. (escrever esta frase foi difícil).
A palavra deficiência ainda é um problema pra mim, pois quem é mesmo que gosta de mostrar suas deficiências por aí? A gente aprende desde criança, e provavelmente de outras vidas, que a gente deve ser bom, bonito, cheio de qualidades e ignorar (esconder) as maldades, as feiuras e os defeitos e o mais importante: sermos o mais parecidos com a maioria possível, pois é mais fácil de lidar com o igual do que com o diferente, né? Dá menos problema, pois as pessoas precisam se esforçar e pensar menos para entender a gente. Então é importante colocar todo mundo na mesma caixinha, com os mesmo padrões e dá tudo certo. Certo?

Errado! É fato que o cérebro procura padrões. Ele gosta mesmo da certeza, do conforto, mas o erro está em achar que o conforto e a certeza para todas as pessoas é a mesma! Quando a gente vê uma pessoa caminhando de costas, o que pensamos? “Nossa, é louca! Andar é para a frente...” É mesmo? Que verdade absoluta é esta? Por que você se incomoda tanto de ver a pessoa caminhando de costas? Porque mexe com as suas certezas, com as suas convicções e seu cérebro quer o conforto. O diferente é desconfortável, pois faz a gente sair do padrão, da zona de conforto.

Até então, o meu padrão era esse: ser o mais parecida com a maioria possível! Me confundir com a multidão o máximo que conseguisse. Assim, minha deficiência estaria resguardada. Ninguém olharia para ela, ninguém ligaria para ela, pois estaria, euzinha, adequada. Ledo engano. Assim como as pessoas acham que conseguem mascarar um "defeito" de personalidade exaltando uma "qualidade" sua, eu também achava que ninguém via minha deficiência, por eu fazer tudo como todo mundo. Você acha que esconde, mas acredite, todo mundo vê! Todo mundo sente a negatividade por traz... sente algo estranho no ar. Então você acha que esconde. A certeza de esconder é tão absoluta que a gente esconde até da gente mesmo. Entra na cegueira. Nem sabe que é daquele jeito.

E foi assim comigo: eu era cega para a minha deficiência física. Eu, realmente, não sabia que ela existia e que ela era tão visível aos outros. Até hoje quando ela se revela tão visível, tão precisando ser vista por mim ou por alguém,  eu choro. Ta aí, eu sou assim! Eu sou feita pelo meu lado esquerdo e direito. Tenho minha perfeição e minha imperfeição andando juntas, de mãos dadas, literalmente. E isso faz de mim o que sou. E sou única. Assim como você, que teve coragem de chegar até aqui neste texto.

Aceitação. Resiliência. Quando a gente olha para o que nos incomoda na gente, quando a gente joga luz, quando a gente tira esta coisa da escuridão, o próximo passo é aceitar, pois quando a gente aceita, a gente pode transformar aquilo em outra coisa. Pessoas muito próximas a mim com a mesma deficiência que eu, me ensinaram isso. Eles não deixam de ser deficientes, porque ninguém é perfeito. E são até, visivelmente, menos deficientes do que eu.
Então a resposta para eu nunca dar continuidade as coisas começa a aparecer: Eu tenho medo da projeção! Eu tenho medo dos holofotes apontados para mim. Eu tenho receio dos julgamentos acerca das minhas decisões, pois tudo isso vai fazer as pessoas olharem para meus defeitos e minhas qualidades, meus erros e meus acertos, minhas belezas e minhas feiuras, minhas bondades e minhas maldades. Olharem para o que eu sou de verdade! E eu sempre tive pavor disso! Porque o que somos é muito claro e aparente quando a gente decide se mostrar.

Hoje agradeço à minha deficiência, pois só a partir dela posso ver que sou um conjunto de coisas positivas e negativas. Eu sou o próprio Yin e Yang materializados. Eu tenho a chance de me olhar no espelho todos os dias e ver que eu sou um conjunto de coisas belas e feias, boas e más, positivas e negativas. Quem tem esta sorte? Quantas pessoas tem esta oportunidade diária e muitas vezes por dia?

Por isso o namastê. A perfeição do meu namastê é incrível, porque sou eu! Eu de verdade! O meu namastê não está dentro da caixinha  do padrão de nasmastês que todo mundo quer estar para não ser revelado nas suas negatividades. O meu namastê mostra para mim e para o mundo que eu sou as duas coisas juntas e isso faz de mim o que sou! Pense nisso comigo e saia da caixa você também!!! hahahahaha.

Se eu quero que meu namastê mude??? Claro! Como todos queremos melhorar das nossas imperfeições. E a publicação deste texto vem ao encontro deste desejo e publica meu compromisso comigo mesma de melhorá-lo a cada dia!

NAMESTÊ